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Associações do Lis e do Baixo Mondego apelam ao uso eficiente da água

As associações de beneficiários do Vale do Lis, distrito de Leiria, e do Baixo Mondego, encararam como um dos desafios para o futuro o uso eficiente dos recursos hídricos.

Apesar de serem realidades distintas, com culturas e sistemas hidroagrícolas diferentes, as duas associações, que participaram num debate em Coimbra sobre sustentabilidade agro-ambiental e economia circular, afirmaram que um dos desafios para o futuro passa pela gestão racional e eficiente dos recursos hídricos à sua disposição.

Para a Associação de Beneficiários da Obra Hidroagrícola do Baixo Mondego, mais importante do que falar de economia circular naquela área será “incentivar à gestão racional de recursos hídricos num universo de muitos proprietários de minifúndio”, disse o director técnico da entidade, António Russo, que falava à agência Lusa à margem do debate.

“Embora os mananciais de água sejam generosos, tem que se pensar que a água será um recurso limitado mais tarde e tem que ser gerido com parcimónia, num sistema bastante difícil como o Baixo Mondego, em que não há automatizações de fornecimento de água”, vincou.

Para isso, não será necessário criar mais linhas de financiamento, antes mudar a mentalidade das pessoas, de forma que os proprietários aprendam “a usar a água e a estarem despertos para a questão dos recursos hídricos e não pensarem que a escassez só existe no sul”, referiu.


Também a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis assumiu o seu empenho na optimização da água usada para actividades agrícolas naquela bacia, considerando que a obra para a reconversão de parte do regadio do Lis vai também ajudar a gerir melhor esse recurso, afirmou o administrador da entidade, Henrique Damásio.

“Vai cair água em menos tempo e mais quantidade de cada vez e temos que aprender a optimizar o recurso com base nessa nova realidade que não vamos conseguir alterar”, notou, salientando que é necessário evoluir nos métodos de rega no Lis.


Para além disso, Henrique Damásio salientou que, no caso do Vale do Lis, a implementação de uma economia circular “faz sentido”, por ser uma zona densamente povoada, permitindo favorecer “os circuitos curtos de comercialização”, de forma a evitar “que uma alface produzida na zona vá para Lisboa e depois retorne a uma loja em Leiria”, tal como hoje acontece com as cadeias de grande distribuição.

De acordo com o responsável, há também trabalho a fazer no sector da pecuária, nomeadamente através da valorização dos efluentes (resíduos provocados pela actividade), apontando para o exemplo do sector da avicultura, cujos efluentes já são “incorporados nos olivais do Alqueva”.

O debate, intitulado “O regadio e a sustentabilidade agro-ambiental: Economia circular”, decorreu na Escola Superior Agrária de Coimbra.







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