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“O planeta está a aquecer e a principal responsabilidade é nossa”, apela Carlos Fiolhais

O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra promoveu esta semana uma palestra online sob o tema das alterações climáticas, integrada no ciclo de conferências do ISEC – Engenharia e Sociedade-, em parceria com o Casino Figueira, contando com a presença de Mário Velindro, presidente do ISEC e, como convidado, o Dr.º Carlos Fiolhais, professor catedrático da Universidade de Coimbra, físico e ensaísta.

Carlos Fiolhais começou por dar uma breve introdução da sua paixão pela física e pela ciência, desenvolvendo o tópico das condições meteorológicas e climáticas do planeta, ao destacar as “irregularidades” existentes no que toca a previsão do tempo.

O professor interligou as matérias e explicou o efeito de estufa, adicionando que este fenómeno natural é essencial para a vida humana e que “não se deve dizer mal do efeito de estufa”, mas que as emissões de dióxido de carbono causadas pela acção humana estão a aumentar significativamente desde as décadas passadas, o que pode levar a consequências irreversíveis no que toca à temperatura média da Terra.

O professor decidiu conectar os tópicos das alterações climáticas com a ocorrência de fenómenos naturais, dando o exemplo do furacão Leslie, que chegou a Portugal como tempestade tropical, deixando destruição pelo seu rasto, como foi o caso do concelho da Figueira da Foz.

“Lembro-me perfeitamente deste dia. Estava com a minha mulher num casamento em Condeixa e decidimos vir embora antes de a tempestade vir. Os restantes convidados deram com vidros dos carros partidos e chegaram a casa com telhas voadas… O clima está com alterações que não são normais.”

Para além das tempestades, os incêndios são outro problema, “que de forma embora indirecta com o clima, é razão para nos preocuparmos”, refere o professor, enaltecendo a importância da vigilância e limpeza nas florestas.

Outro problema referido foi o do degelo, por causa das “massas de gelo de grande escala que vão continuar a derreter”, que irão continuar a fazê-lo independentemente dos esforços humanos para o contrariar, resultando na subida de nível do mar. A Figueira da Foz será uma das regiões mais afectadas, entre inúmeras cidades e terras espalhadas pelo globo, sendo apenas apresentada como solução “métodos e respostas de engenharia” mas que, se nada se fizer, a maior parte do concelho, em especial a zona sul, será inundada e submergida pelo mar.

Para concluir, o físico desabafou que a civilização humana esta perante um “grande desafio”, que é possível ser vencido, desde que haja “coordenação” e um “racionalismo triunfante”, proferindo ainda que “a nossa arma de sobrevivência é a razão, não sendo preciso de conjugar a razão com a vontade.”

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