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David Souza nasceu há 140 anos

David Ascensão de Figueiredo e Souza nasceu no dia 6 de Maio de 1880. Cedo se envolve na arte dos sons, iniciando o estudo do solfejo aos 9 anos na Escola da Sé Patriarcal de Lisboa. Já adulto, aos 20 anos, termina o curso de violoncelo no Conservatório Nacional em Lisboa, onde frequentou as classes de violoncelo de Eduardo Wagner e de Cunha e Silva. Foi ainda aluno de Freitas Gazul, referência na teoria musical. Em 1904 o jovem instrumentista ruma para Lípsia, na Alemanha, como bolseiro, onde aprofunda os estudos musicais com o maior violoncelista da época, Julius Klengel. Dá o seu primeiro concerto público a 29 de Setembro, na Figueira, no Ginásio Clube Figueirense. David de Souza corre mundo e destaca-se. Escreve a célebre “Rapsódia Eslava”, entre outras obras. Em 1911 volta à Inglaterra para actuar em Londres, onde se torna mais tarde solista e maestro.

De regresso a Portugal, David de Souza estreia-se como chefe de orquestra (1913), num concerto realizado no Teatro Nacional. Passado pouco tempo é contratado para maestro titular da Orquestra Sinfónica de Lisboa. Em 1916 é nomeado professor de violoncelo e de orquestra do conservatório lisboeta, para além de prosseguir, em paralelo, a sua carreira nos palcos. Como compositor, assume-se de sabor nacionalista e escreve várias peças musicais, como “Barca Bela”, “Serenata”, “Saudade” e “Fiandeira”. Compõe, por exemplo, “Poema Sinfónico”, “Babilónia”. Escreve também uma ópera, que continua inédita, denominada “Inês de Castro”. David de Souza actua, em 1917, no Casino Peninsular (Casino da Figueira), para rubricar um concerto a favor da Assistência da Figueira às vítimas da Guerra. Nesta deslocação à sua terra natal, actua também no então Casino Oceano.

David de Souza conquista o público. Aliás, consta-se que sempre que estava na sua terra natal convivia com o barbeiro Abinadab Nunes da Silva, no seu estabelecimento junto à Alfândega, também ele músico e regente da Filarmónica Figueirense – segundo pesquisa apurada pelo investigador Jacinto Camelo.

David de Souza revela-se igualmente um apaixonado da música russa, dando a conhecer muitos dos cultores musicais daquele país. David de Souza intensifica as actuações e torna-se uma referência nacional, apesar da curta carreira, já que a 3 de Maio de 1918 dá o seu último concerto. Tinha 38 anos!

Na tentativa de escapar à epidemia da pneumónica, que então grassava e dizimava milhares de pessoas, veio de férias para a Figueira. Em Agosto envia um postal ao violinista Paulo Manso, conterrâneo e amigo, anunciando para o dia imediato a sua deslocação à Figueira, no comboio da noite, contando instalar-se no Hotel Mondego, então situado no Largo do Carvão. Mas, no mês seguinte, escrevendo a outro amigo sobre discussões em torno do contrato com o Politeama, em Lisboa, para a época de concertos que se avizinhava, já deu a morada da Rua do Viso, n.º 29, onde acaba por falecer. Os seus últimos dias são vividos quase em isolamento total, com excepção da presença de um adolescente que lhe faz companhia diária. Adolescente que, mais tarde, será uma das personalidades incontornáveis da Figueira da Foz: Severo da Silva Biscaia, figueirense de dimensão, incrementador da vocação turística da terra e “ginasista” de fina água.

David Ascensão de Figueiredo e Souza morre no dia 3 de Outubro de 1918. Perpetuado na toponímia, tal como mais tarde viria a ser o seu jovem companheiro de fim de vida, David de Souza é patrono do Conservatório de Música da Figueira da Foz, terra que para sempre o recorda com um busto em espaço público e dá o nome a um agrupamento de vozes que faz um percurso certo, longo e com qualidade interpretativa. A sua fotografia está ainda exposta, em permanência, na sede da Sociedade Filarmónica Figueirense. 

Em 2009 foi editado um cd contendo as obras principais do compositor, interpretadas por Ana Leonor Pereira (soprano), Pedro Neves (violoncelo) e António Ferreira, pianista e dinamizador do projecto, destacado na Antena 2.

AJL

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