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SOS Cabedelo volta a alertar para “perigo” de acumulação de areia na barra

O movimento cívico SOS Cabedelo voltou hoje a alertar para a insegurança da navegação junto à barra da Figueira da Foz devido à acumulação de areia, lembrando que há anos avisou “que ia morrer gente”.

Em declarações à agência Lusa, Miguel Figueira recordou que há mais de oito anos que o SOS Cabedelo vem avisando diversas entidades, entre estas o Governo e a Assembleia da República, sobre o “perigo” que constitui o assoreamento na barra do porto, nomeadamente a chamada ‘restinga’, uma espécie de península de areia submersa que se estende a partir da cabeça do molhe Norte e é cortada pelo canal de navegação portuário.

“Em Maio de 2013, antes do primeiro acidente (depois do prolongamento do molhe Norte), disse que ia morrer gente. Isto são mortes anunciadas antes de alguém morrer”, frisou Miguel Figueira.

O arquitecto e surfista, profundo conhecedor do mar naquela zona da Figueira da Foz, junto à barra e à praia do Cabedelo, lembrou os naufrágios das embarcações de pesca Jesus dos Navegantes e Olívia Ribau, em 2013 e 2015, que provocaram, no total, nove mortos, aos quais se juntou, hoje, o acidente com uma lancha de pesca lúdica, do qual resultaram mais quatro vítimas mortais.

“As informações que tenho é que foi uma onda que virou o barco. Mas o mar não está gigante, está é traiçoeiro, porque está cheio de areia lá fora. E não é um mar de tempestade, não é um mar de vento, aliás estava muito pouco vento e de leste. A onda é o reflexo da areia submersa, quebra onde há uma bancada de areia e naquele sítio não podes ter uma bancada de areia, é tão simples quanto isto”, explicou o dirigente do movimento cívico.

Miguel Figueira adiantou que embora existam dragas, periodicamente, em operações de manutenção junto à barra da Figueira da Foz, estas “só trabalham no canal de navegação” e não nas margens deste, constituídas por “montes de areia, que estão constantemente a ser alimentados pela deriva”, a circulação de sedimentos no mar, predominantemente de norte para sul.

“Andam a escavar, com uma fita métrica, o canal de navegação (do porto comercial), será que andam a trabalhar essas margens de segurança? E estes montes de areia, estas ilhas de areia, não são estáticas, movem-se tanto de norte para sul, como, em certas alturas, de sul para norte. E veem-se bem, está lá uma bancada de areia inacreditável e é onde as ondas rebentam”, argumentou.

Considerando a situação “dramática”, Miguel Figueira notou, por outro lado, que a areia acumulada na zona da barra, “ainda por cima, é areia que nem sequer chega a terra para a protecção costeira”.

“Não podem só cortar a restinga no canal de navegação, têm de a retirar toda e depositá-la na praia. Está a causar perigo de morte lá fora e a fazer falta em terra”, observou o activista.

“É um duplo problema. Temos a areia toda no problema e precisamos dela para nos ajudar as construir as soluções, quer de segurança da navegação, quer para contrariar a erosão costeira. Não podemos ter areia à frente do canal de navegação, temos de a fazer passar (do molhe Norte, onde se acumula, para sul) por um canal alternativo, o ‘bypass’ (um sistema mecânico de transferência de sedimentos, que o SOS Cabedelo defende) e poder injectá-la junto à praia”, enfatizou.

“Só que isto é um discurso que temos há mais de uma década e as coisas continuam por concretizar”, lamentou Miguel Figueira.

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