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Sindicato fala em adesão “muito grande” à greve nas conservas, patrões dizem “praticamente nula”

A greve de hoje dos trabalhadores da indústria das conservas regista, segundo o sindicato, uma “adesão muito grande”, havendo fábricas “completamente paradas”, como a Cofisa, mas a associação patronal garante que a participação é “praticamente nula”.

Os trabalhadores da indústria das conservas estão hoje em greve contra os “salários muito baixos” pagos no sector e a “desregulamentação” dos horários de trabalho, tendo promovido concentrações de protesto frente às empresas Cofisa, na Figueira da Foz, ESIP, em Peniche, e à junto à sede da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP), em Matosinhos.

“A adesão à greve é muito grande em todas as empresas deste sector de actividade, havendo fabricas que estão completamente paradas, como é o caso da Cofisa, na Figueira da Foz”, avançou à agência Lusa Francisco Figueiredo, da direcção nacional da Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT).

Pelo contrário, a associação patronal ANICP garante que a adesão foi “praticamente nula”: “Esta manhã contactámos a indústria, para perceber a adesão à greve, e ficou claro que esta foi praticamente nula”, afirmou o presidente, José Maria Freitas, numa nova enviada à Lusa.

Reiterando que “não está disponível para participar nesta encenação, tendo em consideração que praticamente não há trabalhadores em greve”, a associação diz pretender “tratar de forma oportuna um tema que é muito relevante para as empresas e para as suas trabalhadoras e trabalhadores deste importante sector da economia nacional”.

O dirigente da FESAHT Francisco Figueiredo garante, contudo, que “os trabalhadores responderam de forma muito positiva à posição intransigente da associação patronal”, que acusa de “recusar negociar salários enquanto os sindicatos não alterarem as cláusulas do contracto colectivo de trabalho, designadamente no que toca ao horário de funcionamento das fábricas e ao horário de trabalho” no sector.

“Esta imposição da associação patronal de desregular os horários de trabalho e pôr os trabalhadores a trabalhar durante toda a noite, num sector em que a esmagadora maioria são mulheres, é uma posição inaceitável que levaria, para estas operárias conserveiras, ao abandono completo dos filhos”, sustenta.

Argumentando que “o sector das conservas tem uma boa situação económica”, o dirigente sindical considera que a intenção de estender o horário de trabalho no sector para além das 20 horas, “pondo as fábricas a trabalhar toda a noite”, resulta apenas da “ganância do lucro”.

Por sua vez, a ANICP afirma que “mantém a disponibilidade para negociar a totalidade do CCT (contracto colectivo de trabalho), incluindo a revisão salarial”, e assegura que “o efeito mediático” que concentrações como as de hoje “possam passar não correspondem ao cenário nacional”.

“Estamos empenhados em reforçar e melhorar as condições dos trabalhadores e em aumentar a competitividade da indústria”, assegura a associação.

Para a FESAHT, a proposta de aumento de salários apresentada pela ANICP é, no entanto, “vergonhosa”, traduzindo-se num “aumento de cinco euros acima do salário mínimo nacional, quando estes trabalhadores já receberam muito acima” desta remuneração base.

Isto num sector que, salienta, “em 2020 produziu 72 mil toneladas, mais 11 mil toneladas do que em 2019, tendo gerado 365 milhões de euros, mais 40 milhões do que ano anterior”.

Segundo enfatiza a federação sindical, em 2020 “houve um aumento de 16% na procura de conservas nacionais, assim como 14% no volume de vendas e 20% em valor”, e “a expectativa da indústria é que a tendência de crescimento da procura continue a ser acima dos dois dígitos, tanto a nível interno como externo”.

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