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Reabilitação de mosteiro de Seiça implica obra “cuidada”

A reabilitação do Mosteiro de Seiça implica uma intervenção cuidada, que inclui a remoção das árvores no topo da igreja em ruínas, cujas raízes ameaçam a fachada do século XVI, explicou hoje a empresa.

O mosteiro, localizado num vale da freguesia de Paião, junto à linha ferroviária do Oeste e ribeira de Seiça, teve origem na fundação da nacionalidade, embora o conjunto edificado actual seja dos séculos XVI e XVIII.

Em declarações à agência Lusa, à margem da cerimónia de assinatura do contrato de empreitada, João Pedro Lopes, da empresa Teixeira Duarte, explicou que a retirada do arborizado – árvores, arbustos e raízes – que cresceu durante décadas nos topos das duas torres da igreja, envolve técnicas de reabilitação “em diversas etapas, de forma cuidada e num acompanhamento muito rigoroso”.

“Neste caso das árvores e raízes, começa exactamente pela injecção de produtos que matem as árvores para que, depois, possam ser desenraizadas”, sustentou, adiantando que para além da extracção da vegetação, serão eventualmente retiradas “outras argamassas que tenham sido aplicadas noutros tempos e seja preciso remover “.

“É um processo de conservação e reabilitação a que nós, felizmente, estamos habituados, temos muita obra feita, e infelizmente, muitos destes edifícios, quando começam estas intervenções, estão em estado muito degradado e o cuidado é ainda mais necessário”, observou João Pedro Lopes.

O responsável da Teixeira Duarte frisou que a empresa – que está a cumprir 100 anos de vida – “tem um histórico e currículo grande na reabilitação de monumentos nacionais”.

“E esta é uma das grandes obras que atraiu a nossa atenção. Estudamo-la com todo o afinco, rodeados de parceiros de conservação e restauro”, notou.

Já o arquitecto municipal Rui Silva lembrou que a intervenção no mosteiro passa pela reabilitação do edifício monástico, claustro e pátio “e a sua adaptação a espaço museográfico, cultural e expositivo”, estabilização da ruína da igreja para que seja visitável em segurança e um pavimento exterior com “recriação do que seria a igreja original”.

Para além da retirada das árvores, serão também removidos alguns ninhos existentes no topo da fachada em ruínas “após parecer do ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas)”, indicou Rui Silva.

À Lusa, o presidente da autarquia, Carlos Monteiro, assinalou a “relevância grande” da empreitada – que tem um custo de cerca de 2,7 milhões de euros (financiados a 85% por fundos europeus) e um prazo de dois anos – do mosteiro que fez parte da Ordem de Cister.

“Mas é evidente que o maior impacto vai ser em termos do concelho, as pessoas vão visitar e poder usufruir daquele vale espectacular”, notou.

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