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O último suspiro do freixo

Hoje vai ser cortada uma árvore, mas não se trata de uma árvore qualquer. Trata-se de um antigo freixo localizado no Largo Silva Soares (Largo da Misericórdia), com mais de 300 anos de história. Segundo a Câmara Municipal, este freixo foi alvo de uma avaliação fitossanitária e biomecânica, em Junho de 2016 pela empresa Árvores e Pessoas, Lda em que foi referida a sua instabilidade e danificação “ao nível da sua solidez mecânica, com a existência de grandes feridas no tronco e pernadas, nas quais se instalaram fungos lenhívoros e se desenvolveram extensas podridões de lenho que evoluíram para enormes cavidades, as quais afectam profunda e preocupantemente a resistência biomecânica de toda a estrutura da árvore”.

No dia 13 de Outubro de 2018, a situação piorou com os efeitos causados pela tempestade Leslie, tendo esta gravemente danificado os troncos principais do freixo. Passados 13 meses e um novo relatório feito pela mesma empresa, colmatando que “na impossibilidade de diminuir o risco de ruptura da estrutura que lhe resta, a decisão mais prudente é o abate desta árvore – e a sua substituição imediata por outra da mesma espécie – uma vez que a segurança dos utilizadores do espaço está ameaçada”. A Câmara e o seu presidente, Carlos Monteiro, decidiram agir perante o afirmado, marcando o corte deste freixo para dia hoje, 13 de Novembro.

Em tentativa de descobrir a razão por detrás da controvérsia ligada ao corte do tão antigo freixo, O Figueirense foi ao local, para ouvir as vozes das pessoas sensibilizadas com a causa. No meio de uma insatisfação e de um grande lamento pela perda desta árvore histórica, as pessoas discutiam entre si possíveis alternativas à solução apresentada pela autarquia. Umas referiam que o problema era a falta de sensibilização com o tópico, outras com a despreocupação geral das pessoas. Mas no meio de diferentes opiniões, uma delas era igual entre os presentes nesta concentração: “É uma pena ver este freixo a desaparecer, passado tanto tempo”. Luís Fidalgo falou das “festas que aqui se faziam, e que se fizeram ainda neste ano” e que “estas árvores aguentam bem o impacto”, alertando para a problemática ambiental da cidade. Mas também podemos falar em termos “patrimoniais e simbólicos”, como sublinhou Fernando Mendes, adicionando que “já não é o primeiro símbolo de património que perdemos, e as pessoas tendem a arrepender-se de os ver a ir embora”, assinalando a história e o significado deste freixo para a história figueirense. Luís Pena, um dos rostos do Movimento Parque Verde, falou de possíveis alternativas, como “cortar apenas o ramo direito” e “estabelecer um perímetro de segurança, que permitisse salvaguardar a segurança de pessoas e bens assim como a segurança da árvore”.

Apesar de todas as opiniões, o corte da árvore está marcado para esta manhã, às 8 horas, onde algumas das pessoas da concentração de ontem disseram que iriam comparecer, para prestar uma última homenagem a esta árvore.

Leonardo Ramalho

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