O processo de Licenciamento Único de Ambiente da empresa de biocombustíveis BioAdvance, instalada na Figueira da Foz, encontra-se em consulta pública até 26 de junho no portal Participa. O procedimento, promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), permitirá a recolha de contributos e observações escritas, desde que diretamente relacionadas com a instalação em avaliação, as quais serão posteriormente analisadas no âmbito da decisão final.
De acordo com o relatório base do processo, a unidade industrial tem capacidade para produzir biodiesel a partir de óleos alimentares usados, oleínas e ácidos gordos, bem como glicerina. O documento destaca que este tipo de biocombustível, considerado de segunda geração, permite valorizar resíduos que, de outra forma, seriam descartados, funcionando como alternativa ao gasóleo convencional sem necessidade de alterações nos motores, contribuindo assim para a transição energética.
Contudo, o histórico recente da empresa levanta questões, uma vez que a BioAdvance terá operado em 2025 sem as licenças exigidas, situação que motivou investigações por alegada prática de crime de poluição com perigo comum. Entidades como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e a APA confirmaram a ausência de títulos obrigatórios, levando à suspensão do estatuto de Projeto de Interesse Nacional (PIN), também retirada pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Apesar disso, a empresa já tinha recebido cerca de quatro milhões de euros de fundos comunitários até março de 2025.






