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“A cidade terá de ser tornar amiga do ambiente e as pessoas amigas da cidade” – Pedro Santana Lopes, Figueira a Primeira

O Figueirense colocou algumas questões aos diversos candidatos com o intuito de angariar mais informações sobre os seus planos, projectos e intenções, ajudando os cidadãos eleitores a decidir a sua opção de voto. Eis o que obtivémos junto do representante do movimento independente Figueira a Primeira, Pedro Santana Lopes.

Como pretende devolver a cidade às pessoas? Estratégias pensadas?

A cidade é das pessoas e as prioridades do passado já não se aplicam aos dias de hoje. As pessoas querem lugares mais verdes, seguros e saudáveis para viver e é preciso assumir um compromisso por uma mudança de paradigma nas políticas urbanísticas e de mobilidade, priorizando as deslocações a pé, de bicicleta e de transporte público.

Contudo, esse caminho foi iniciado na Figueira da Foz com a criação do projecto privado das bicicletas Figas, apesar de ser um projecto muito simpático e que deve ter continuidade, até com outros operadores que queiram instalar-se. Mas é preciso ter consciência que o actual projecto é somente para utilização em lazer das bicicletas, não servem para uma deslocação para o emprego, ou a um serviço público, este sistema continua a promover os automóveis de motor térmico poluente, que continuam a circular nessas áreas produzindo monóxido de carbono, muitas das vezes em intermináveis filas, que vamos verificando na Avenida D João II até ao Largo Caras Direitas. Tenhamos consciência que as obras do PEDU, não foram benéficas, foram mal executadas. Deviam ter garantido percursos para veículos de emergência e acabaram por potenciar os constrangimentos no trânsito, cortes de árvores, menos estacionamento, dificuldades para os comerciantes, etc..

A cidade será devolvida às pessoas, quando tiver estacionamentos em número suficiente fora da primeira linha de mar e até em terminais de autocarro que permitam às pessoas estacionar a viatura, levantar a sua bicicleta, apanhar o transporte público ou iniciar um percurso pedestre.

A cidade será devolvida às pessoas quando forem eliminadas todas as barreiras arquitectónicas e forem envolvidas as pessoas. Para isso temos na nossa lista ao executivo, uma senhora com mobilidade reduzida que nos trará uma visão clara daquilo que é necessário fazer pelas pessoas que têm dificuldades de locomoção, contribuindo para o desenvolvimento do plano de mobilidade urbano sustentável, seguindo a priorização dos modos activos e colectivos de deslocação. A redução tarifária dos transportes públicos, adoptando um novo modelo da concessão, com a aquisição de veículos menos poluentes e mais atractivos, também é uma das nossas medidas. Vamos apostar na redução de velocidade em algumas ruas para 30km/h e no redor das escolas para 10 km/h, vamos garantir passeios largos e desafogados para a deslocação de peões, passadeiras sinalizadas e seguras, sítios de estadia para a vida comunitária em espaços públicos, como é o caso das praças limpas, cuidadas, com monumentos devidamente mantidos, ausência de trânsito em algumas estradas em determinados períodos do ano.

A situação da enormidade da praia passa muito por aproximar a cidade e as pessoas ao mar, com equipamentos de diversa natureza. Há 20 anos colocaram-se passadiços e equipamentos desportivos e inclusive, o Oásis que infelizmente, tem estado descuidado. No momento é necessário estudar uma possibilidade de alterar o perfil da marginal e adoptar a instalação de outros equipamentos como por exemplo, equipamentos desportivos diferenciados, realizar a limpeza da praia, mas garantido a conservação dunar existente.

E não esqueceremos que a cidade, também é a serra da Boa Viagem que voltará a ter espaços cuidados, a pensar nas famílias e nas centenas de desportistas que frequentam o perímetro florestal. Teremos locais que promovem o nomadismo digital, centros de interpretação da serra da Boa Viagem e Cabo Mondego, apoio ao montanhista, assim como uma política activa na prevenção de incêndios, garantindo a preservação ambiental e a perpetuação do nosso espólio natural. A serra vai ser devolvida às pessoas.

A cidade terá de ser tornar amiga do ambiente e as pessoas amigas da cidade, sem esquecer que as freguesias existem e que terão de ser incluídas nesta lógica de aproximação.

O turismo é o foco ou outras áreas de negócio sobrepõem-se à dinâmica prevista?

O turismo não poderá ser exclusivamente o foco da nossa dinâmica, é um sector que será uma parte integrante da nossa estratégia, que vai beneficiar transversalmente do modelo motriz que vamos aplicar, em conjunto com os restantes sectores. Alguém pode afirmar que uma cidade no litoral atlântico, sem aeroportos por perto ou ligações terrestres de alta velocidade, pode viver exclusivamente do produto mar e sol durante dois ou três meses do ano? Obviamente que não. Temos é de resolver o calcanhar de Aquiles do Turismo nesta região, que é a questão da sazonalidade e daí ser importante ajudar o sector, com outros motivos de interesse na cidade e na região durante o resto do ano. É importante termos unidades hoteleiras de 4 e 5 estrelas, que estejam bem cotadas em plataformas digitais, como é o caso do TripAdvisor ou do Booking, que o alojamento local esteja alinhado numa lógica de qualidade e até da sua promoção.

Talvez no futuro seja possível beneficiar até do Turismo Religioso existente em Fátima, onde poderá existir uma excelente oferta regional na promoção da região Centro, criando pacotes turísticos na época baixa que gerem estadias mais longas e em locais distintos. Vamos trabalhar estas hipóteses. Sabemos que a entidade que gere a promoção do Turismo no Centro tem esquecido a Figueira nos seus vídeos promocionais, mas saberemos pelos nossos meios, alavancar a nossa marca e o sector, de uma forma mais eficaz junto dos operadores e das regiões emissoras de turistas nacionais e internacionais, procurando potenciar os nichos de mercado existentes, até de marcas e produtos figueirenses que levam a nossa imagem pelo mundo, eles existem e têm reconhecimento internacional, só temos de os saber aproveitar.

Se não vencer as eleições, aceita integrar o executivo camarário?

Vamos ganhar, porque sinto, todos os dias e cada vez mais, que é esse o caminho que os figueirenses querem.

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