A inauguração do Centro de Interpretação do Património Arqueológico Rural de Bensafrim (CIPAR), no passado dia 13 de outubro, assinalou um reencontro simbólico com a história da investigação arqueológica no Algarve e abriu novas perspetivas de colaboração entre o Museu Municipal Santos Rocha, a Vicentina – Associação para o Desenvolvimento do Sudoeste, a A3PR – Associação para a Promoção do Património Rural, as juntas de freguesia locais e o município de Lagos.
Mais de 130 anos depois das expedições arqueológicas de António dos Santos Rocha ao Algarve, o Museu Municipal Santos Rocha regressou a Bensafrim, desta vez como parceiro do novo espaço interpretativo da arqueologia local, “num momento marcado pela memória, pelo reconhecimento científico e pela criação de novas oportunidades de cooperação entre a Figueira da Foz e o Algarve”.
Pioneiro da arqueologia portuguesa, Santos Rocha destacou-se pela qualidade da sua análise de terreno, pelo rigor dos seus registos e pela capacidade de interpretar os contextos arqueológicos. Na Fonte Velha, em Bensafrim, prosseguiu os trabalhos anteriormente desenvolvidos por Estácio da Veiga, contribuindo para aprofundar o conhecimento de uma importante necrópole e para revelar novos dados sobre o passado do território algarvio.
As suas expedições, realizadas entre 1894 e 1906, tiveram também um objetivo fundamental para a arqueologia da Figueira da Foz: encontrar paralelos que permitissem compreender melhor os materiais e os contextos arqueológicos identificados, sobretudo em Santa Olaia. O Algarve assumiu, assim, um papel determinante na construção do conhecimento científico que Santos Rocha procurava desenvolver e preservar no Museu da Figueira.
A cerimónia contou com as intervenções da chefe da Divisão de Museus e Núcleos, Manuela Silva, e do arqueólogo Marco Penajoia, que abordaram as coleções algarvias conservadas no Museu Municipal Santos Rocha, com particular destaque para os materiais provenientes da Fonte Velha, e o contributo de Santos Rocha, dos membros da Sociedade Arqueológica da Figueira e de figuras locais para a investigação arqueológica no Algarve.
Este regresso a Bensafrim foi também “uma oportunidade para valorizar o trabalho dos investigadores e colaboradores que, ao longo do tempo, contribuíram para o conhecimento e a preservação deste património”, refere nota da autarquia.






