O Mosteiro de Santa Maria de Seiça, na Figueira da Foz, acolhe a 17 de outubro a apresentação dos trabalhos da segunda edição do Programa de Residências Artísticas, promovido pelo município.
A iniciativa apresenta os trabalhos de investigação e criação de três artistas convidados – Andrea Inocêncio, Andreia C. Faria e Luís Bittencourt – que, durante o mês de agosto, “exploraram as múltiplas camadas históricas, culturais e ambientais deste monumento nacional”, segundo um comunicado da autarquia figueirense.
“Partindo do Mosteiro e da sua relação com o território envolvente, os projetos desenvolvidos cruzam artes visuais, literatura, música e arte sonora, propondo diferentes formas de interpretar a memória do lugar e de estabelecer um diálogo entre património histórico e criação artística contemporânea”, explicou.
A nota refere que, nas artes visuais, Andrea Inocêncio apresenta Cohabitare, “uma instalação ‘site-specific’” concebida para a nave da igreja do Mosteiro.
“Construído manualmente com materiais orgânicos recolhidos na envolvente, um ninho de cegonha constitui o elemento central da intervenção, que reflete sobre a coabitação entre espécies, o abandono e a resiliência ecológica”, lê-se.
A obra estabelece uma relação direta com a presença da vida animal no monumento e com os processos de transformação e apropriação espontânea dos espaços construídos pela natureza.
A escritora Andreia C. Faria apresenta “Notas para uma Noite de Estreia. Sobre alguns dias de residência em Seiça”, trabalho literário que resulta da experiência de permanência e observação do território.
“Entre a memória histórica, a paisagem, a ruína e a reflexão filosófica, o texto explora as relações entre presença e ausência, vida e morte, passado e transformação”.
Por sua vez, o músico, compositor e artista-investigador Luís Bittencourt desenvolve o projeto “Celestial Rinacences”, uma instalação sonora e performativa que transforma o próprio edifício num instrumento musical.
Através da percussão e amplificação de elementos arquitetónicos, da queda de grãos de arroz sobre uma chapa de aço inoxidável e da exploração sonora da água, o artista evoca a memória da antiga fábrica de descasque de arroz que funcionou no Mosteiro entre 1917 e 1971.
A proposta articula referências à atividade industrial, à cultura agrícola do Baixo Mondego e à dimensão espiritual do espaço, explorando as relações entre som, matéria, arquitetura e memória.
Para a Câmara da Figueira da Foz, os três projetos partilham uma abordagem que reconhece o património como uma realidade dinâmica, aberta à investigação, à interpretação e à criação, embora recorram a linguagens artísticas distintas.
“O Mosteiro deixa, assim, de ser apenas objeto de contemplação histórica para se afirmar como espaço de experimentação artística, onde as marcas do passado dialogam com as questões do presente”, considerou.






