InícioEconomiaLucros da Navigator caem 46% no primeiro semestre para 85 ME

Lucros da Navigator caem 46% no primeiro semestre para 85 ME

A Navigator registou um resultado líquido de 85 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, uma queda de 46% face ao mesmo período do ano passado.

Os resultados da empresa foram penalizados pela descida dos preços de mercado da pasta e do papel, bem como pelo aumento dos custos com energia, químicos e logística, explica a The Navigator Company em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) caiu 28% para 216 milhões de euros, o que se traduziu numa margem de 21,2% — menos 6,8 pontos percentuais.

O volume de negócios da produtora de pasta e papel totalizou 1.019 milhões de euros, recuando 4% face ao primeiro semestre de 2024.

A empresa destaca que o bom desempenho nos segmentos de tissue e packaging ajudou a atenuar os efeitos negativos da conjuntura, mas não foi suficiente para compensar a correção nos preços de mercado da pasta e do papel.

No segundo trimestre do ano, o volume de vendas de papel UWF (sem revestimento) e de packaging foi de 318 mil toneladas, ligeiramente abaixo do trimestre anterior (-2%) e do segundo trimestre de 2024 (-1%).

No caso da pasta, as vendas recuaram 31% face ao primeiro trimestre, para 69 mil toneladas, refletindo a queda acentuada dos preços de mercado e uma gestão seletiva das oportunidades comerciais, que limitou o volume vendido.

O segmento de tissue manteve uma evolução positiva em termos homólogos, com vendas de 58 mil toneladas, mais 4% do que no segundo trimestre de 2024, ainda que em queda face ao trimestre anterior (-5%). Este crescimento foi impulsionado pela integração do negócio da Navigator Tissue UK, concluída em maio de 2024.

Na energia, o trimestre ficou marcado pela transição das unidades de cogeração renovável de Aveiro e de um dos turbo-geradores da Figueira da Foz para o regime de autoconsumo, na sequência da esperada cessação do regime especial de remuneração.

O packaging apresentou uma evolução dinâmica, com um crescimento de 8% no volume de negócios face ao trimestre anterior, sustentado no desenvolvimento de novas gamas de embalagem flexível. Esta diversificação permitiu aumentar a base de clientes e mercados.

A incerteza quanto à evolução das tarifas nos Estados Unidos levou ainda a empresa, logo no início de abril, a reforçar preventivamente os ‘stocks’ nesse mercado, o que terá tido um impacto negativo de cerca de 10 milhões de euros no potencial de vendas do trimestre.

O endividamento líquido da empresa situava-se, a 30 de junho, nos 676 milhões de euros (excluindo o impacto da norma contabilística IFRS16), mais 58 milhões face ao final de dezembro.

Este aumento surge apesar da distribuição antecipada de 100 milhões de euros em dividendos no primeiro trimestre e do elevado volume de investimento realizado no semestre, como destaca a empresa. O rácio dívida líquida/EBITDA fixou-se em 1,46 vezes.

Os títulos da Navigator fecharam ontem a subir 0,49% para 3,26 euros.

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