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Empresa da Figueira da Foz exporta derivados da resina para os principais mercados europeus

A empresa de produtos de derivados de resina de pinheiro United Resins, instalada na Figueira da Foz, exporta praticamente toda a sua produção para os mercados mais desenvolvidos da União Europeia.

Quase 100 por cento da sua produção destina-se aos cinco principais mercados da União Europeia – Alemanha, Benelux, Suécia, França, Itália, “que são os mais desenvolvidos industrialmente”, salienta à agência Lusa o director executivo e presidente Mendes Ferreira.

Os dois por cento remanescentes são consumidos no mercado nacional em dois “pequenos clientes”, acrescenta o empresário.

A laborar desde o final de 2010, num espaço com 12 hectares, é uma das poucas empresas químicas nacionais que sintetiza derivados da resina de pinheiro, comercializando um conjunto de produtos sob a marca registada Unik.

“O nosso primeiro ano completo foi em 2011, portanto posso dizer que a United Resins não é uma filha da crise, mas foi gerada e nasceu num contexto absolutamente de crise a todos os níveis”, sublinhou Mendes Ferreira, engenheiro químico de formação.

Os derivados da resina produzidos pela empresa constituem a matéria-prima principal das tintas de impressão (livros, revistas, jornais), todo o tipo de adesivos, desde rotulagem a adesivos de termo-fusão, e colas de madeiras e sapatos, entre outras.

Entre o portefólio de produtos, estão também as substâncias para as tintas de marcação de estradas e pavimentos, pastilhas elásticas e ceras depilatórias para mulher.

Em 2019, a empresa apresentou um volume de facturação de 34 milhões de euros, transformando 25 mil toneladas de resina, que actualmente é comprada a 12 mil quilómetros de distância no Brasil e na Argentina, que nos últimos anos se tornaram grandes produtores.

“No primeiro ano de actividade [2011] facturámos 25 milhões de euros. Em Portugal, não há muitos exemplos de empresas que comecem e facturem logo no primeiro ano 25 milhões de euros, e se os valores da matéria-prima se mantivessem ao preço de 2011 estaríamos com um volume de negócios superior a 60 milhões de euros”, destaca Mendes Ferreira.

Nesse ano, explica o empresário, a matéria-prima atingiu um preço recorde de 3.500 dólares por tonelada.

“Para se ter a noção da volatilidade, hoje estamos na casa dos 850 dólares, que é o preço, mais ou menos, de há 12 anos. Portanto, a volatilidade nesta matéria foi elevada, foi digamos, exagerada, e foi muito promovida pela cartelização chinesa”, sublinha.

“Quando começámos a actividade importávamos exclusivamente da China, depois começámos a importar da Indonésia e passados 10 anos importamos quase exclusivamente do Brasil e da Argentina”, detalha Mendes Ferreira.

Além de estar “a 10 ou 12 mil quilómetros de distância, mudou-se do quadrante Este para Oeste, o que é uma coisa extraordinária em termos de experiência, que ninguém percebe isto, como é que uma empresa, um nicho de mercado do qual pouco se fala, consegue ter este tipo de experiência”, frisa.

Na década de 80 do século XX, Portugal foi o segundo maior produtor mundial de resina, com 150 mil toneladas, mas actualmente produz entre cinco a seis mil toneladas.

“Tínhamos cerca de 15 mil pessoas directa e indirectamente na nossa floresta e passámos para cerca de 500/600 actualmente”, observa o director executivo da United Resins.

Para o empresário, a quebra da produção nacional a partir da década de 1980 deveu-se ao abandono da floresta por parte das pessoas, que procuraram trabalho na construção de grandes infraestruturas realizadas a partir da segunda metade dessa década, através dos fundos estruturais a que Portugal teve acesso.

Mendes Ferreira não tem dúvidas de que “toda essa injecção de fundos da União Europeia levou a que as pessoas fizessem uma passagem das actividades agrícolas e florestais para a construção e produção de infraestruturas, que descaracterizou e despovoou completamente o interior e a área florestal”.

“Isso explica bem a mudança do tecido florestal a nível nacional e a propagação do eucalipto, que continua a ter uma aplicação industrial de forma mais ou menos protegida ou estimulada pelas grandes papeleiras que fazem a sua utilização, o que não aconteceu na fileira do pinheiro”, realça.

A floresta de eucalipto “é desabitada, pois a presença humana é muito reduzida, ao contrário da resinagem, que era uma actividade que obrigava a presença física e contínua das pessoas de pelo menos 10 meses por ano”.

A construção da United Resins, que emprega actualmente 60 trabalhadores [começou com 25], representou um investimento superior a 20 milhões de euros, tendo sido comparticipada pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), que considerou o projecto um “caso de estudo no Programa Operacional do Centro”.

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