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Duplicação de linha pode reduzir duração da ligação ferroviária entre Coimbra e Figueira

A duplicação da Linha do Norte na zona de Coimbra, prevista no projecto de alta velocidade, deverá reduzir tempos e tornar mais regular a ligação ferroviária entre Coimbra e Figueira da Foz, afirmou hoje a Infraestruturas de Portugal (IP).

A duplicação daquele troço “vai permitir fazer isso: ter serviços mais lentos e serviços mais rápidos e que param muito pouco”, disse o vice-presidente da IP, Carlos Fernandes, que respondia à agência Lusa após a sessão de apresentação do plano urbanístico da autoria do arquitecto catalão Joan Busquets que será a base para a criação de uma nova estação ferroviária de Coimbra-B, no âmbito do projecto de alta velocidade.

“Um dos principais constrangimentos era este troço da Linha do Norte, onde não havia capacidade para crescer, para se poderem fazer circulações rápidas, para ter comboios que param em quase todas as estações, mas ter também comboios rápidos”, explicou, notando que, face a esse problema, é difícil aumentar o serviço urbano entre Coimbra e Figueira da Foz, que tem a duração de cerca de uma hora.

Carlos Fernandes recordou que, de momento, há um serviço de longo curso que vai da Figueira da Foz até Valença e que consegue ter “tempos muito curtos” na ligação a Coimbra, mas que não é possível “replicar isso ao longo do dia, porque os comboios têm de obrigatoriamente parar nas estações” e não se consegue oferecer serviços rápidos.

Com a duplicação de linha na zona de Coimbra prevista no projecto, a introdução de sinalização eletrónica em algumas zonas da linha que vai até à Figueira da Foz, onde não há e a possível duplicação de linha em alguns troços onde seja necessário vai permitir “incrementar a capacidade nessa ligação”, salientou o responsável.

Caso seja possível concretizar todas essas intervenções, a ligação entre Coimbra e Figueira da Foz poderá “talvez” reduzir para cerca de metade, admitiu Carlos Fernandes, sublinhando que as reduções serão sempre “muito significativas”.

De acordo com o vice-presidente da IP, será possível ter “um conjunto de serviços ao longo do dia mais rápidos e também com alguma regularidade”, ao mesmo tempo que continuará a haver oferta de serviços mais lentos e que passam por todas as estações da linha que vai até à Figueira da Foz.

Sobre a futura estação de Coimbra-B, Carlos Fernandes assegurou que esta nunca deixará de funcionar durante as obras de duplicação da linha.

Questionado sobre como será assegurada a ligação entre Coimbra-B e a cidade quando a estação de Coimbra-A fechar por causa do ‘metrobus’, o vice-presidente da IP admitiu que será “um período mais complicado”, mas assegurou que estão a ser estudadas “formas transitórias” com o município.

Já sobre o desafio lançado pela Câmara de Coimbra e pelo próprio plano de Joan Busquets para uma reformulação do IC2 na entrada da cidade, Carlos Fernandes referiu que “tecnicamente” não será possível aproveitar a ponte ferroviária para o desvio daquela estrada nacional, mas que se pode “aproveitar” a localização daquela ponte.

“Provavelmente, nós iremos ter uma nova infraestrutura, com quatro linhas, e poderemos demolir a actual ponte. Nesse local, sem fazer variar a cota da infraestrutura, poderemos fazer uma nova infraestrutura que possa servir o IC2 e tirar o tráfego rodoviário de onde está agora”, aclarou.

Carlos Fernandes vincou que esse projecto não está integrado nos atuais planos de execução da IP e que seria um “investimento significativo”, mas notou que já há conversas no sentido de se preparem os primeiros estudos para depois se avançar com projectos de execução dessa alternativa, que permitira aliviar o nó do Almegue, um dos pontos onde se verifica congestionamento na entrada para Coimbra.

Os processos do concurso de concessão do troço entre Aveiro e Coimbra da linha de alta velocidade, onde estará incluída a construção da nova estação de Coimbra-B, deverão ser lançados no final de 2023, referiu hoje a IP, prevendo que a primeira fase da linha de alta velocidade (entre Porto e Coimbra) esteja concluída em 2028 e a segunda fase (entre Coimbra e Carregado) até 2030.

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