O Grande Auditório do Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz acolheu este fim de semana o congresso outubro, sob o lema “Juntos por um Futuro mais Justo”. O encontro reuniu dirigentes sindicais e representantes institucionais que debateram os desafios do mundo do trabalho.
Pedro Santana Lopes aproveitou a ocasião para defender uma estratégia de desenvolvimento da Figueira que vá além do turismo. “A investigação científica, as ciências do mar, o ambiente e o estudo das correntes marítimas” foram apontadas como áreas essenciais para reforçar a competitividade do concelho. O autarca destacou, neste contexto, o centro de investigação dedicado às correntes marítimas, ao movimento de areias e às alterações climáticas, bem como a atividade académica do campus da Universidade de Coimbra instalado na Quinta das Olaias.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, colocou o diálogo e o compromisso no centro da sua intervenção, defendendo que a democracia se constrói através da negociação entre diferentes interesses, tendo em vista o bem coletivo. Um dos principais alertas da ministra incidiu sobre a Inteligência Artificial, que considerou estar a transformar profundamente o mercado de trabalho e as relações laborais. Embora reconheça o potencial destas tecnologias para aumentar a capacidade produtiva da economia, advertiu para o risco de substituição de funções humanas e para a necessidade de preparar trabalhadores e empresas para esta mudança.
Segundo Maria do Rosário Palma Ramalho, seis em cada dez trabalhadores poderão necessitar de requalificação ou reconversão profissional, tornando a formação uma prioridade. A ministra defendeu que o Governo deve agir para evitar que Portugal fique impreparado perante a transformação digital e garantiu disponibilidade para continuar a negociar com os parceiros sociais.
Na intervenção de encerramento da sessão de abertura, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, defendeu que o Governo e as organizações empresariais devem ser encarados como parceiros na construção de melhores condições de vida e de trabalho, e não como adversários. O dirigente destacou a união da central sindical, apesar da diversidade que a caracteriza, e reafirmou três prioridades: valorizar o trabalho, reforçar os direitos e construir o futuro.
Mário Mourão sublinhou que a UGT não é contra uma economia forte, competitiva e produtiva, mas defende que o crescimento económico deve traduzir-se em melhores salários, emprego de qualidade, redução das desigualdades e maior participação dos trabalhadores nas decisões. Nesse sentido, lançou um apelo direto ao primeiro-ministro para que se sente à mesa com a UGT para rever o acordo sobre salários e rendimentos. Defendeu ainda que a concertação social não pode limitar-se à consulta dos parceiros, devendo constituir um verdadeiro espaço de decisão, negociação e compromisso, no qual os acordos assumidos sejam respeitados por todas as partes.






