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Carnaval da Figueira da Foz dedicado às artes sem esquecer a guerra na Ucrânia

Cerca de 10 mil pessoas assistiram hoje ao cortejo de Carnaval da Figueira da Foz, o único do género que se realizou no país, que deu destaque à cultura e não esqueceu a invasão da Ucrânia.

Na Avenida do Brasil, em plena marginal, numa tarde soalheira, nove carros alegóricos, com quase um milhar de figurantes, entre os quais as três escolas de samba da cidade, desfilaram em recinto fechado, sob o tema “Em defesa das artes”.

“Esta moldura humana é a prova de que valeu a pena não cancelar. Foi um risco, que apesar de calculado, valeu a pena”, sublinhou o presidente da Associação de Carnaval Buarcos-Figueira da Foz, entidade organizadora com o apoio do município.

Com as artes a servirem de mote, os participantes apelaram à defesa da música filarmónica, da folia musical, da pintura plástica e da cultura, “que é formosura”, com muito samba à mistura.

A guerra na Ucrânia que está a abalar o mundo também não foi esquecida e o Grupo Caras Direitas exibiu um cartaz em que pedia o fim do conflicto armado e uma figurante surgiu embrulhada numa bandeira ucraniana, com o apelo “Make love, not war” (faz amor, não à guerra).

Os festejos carnavalescos encheram de satisfação a população, que vê no evento um ensaio do regresso à normalidade após quase dois anos de pandemia de covid-19.

“Estávamos a necessitar disto para dar vida aos restaurantes e à cidade, que vive dos turistas”, salientou à agência Lusa Maria Abreu, de 75 anos, da Figueira da Foz.

De Pombal, Inês Romão, de 66 anos, veio assistir ao desfile de Carnaval da Figueira da Foz com o marido e um casal amigo e, no final, levou boas recordações.

“Não me apetecia sair de casa e até me fez bem, pois gostei imenso”, enfatizou.

Pela primeira vez, Joaquim Almeida e a mulher, Vera Neto, vieram da Mealhada assistir ao corso da Figueira da Foz, e não deram a tarde por mal empregue.

“Estamos parados há dois anos e foi bom assistir àquilo que são as nossas raízes (samba), embora não haja Carnaval como o da Mealhada (que não se realizou)”, brincou Joaquim Almeida.

No final, o presidente da Câmara da Figueira da Foz era um homem feliz pelo evento e por ter resistido ao cancelamento do evento, como a maioria dos municípios com tradição nesta vertente.

Segundo Santana Lopes, “valeu imenso a pena, apesar de faltar terça-feira, mas o desfile de hoje e o nocturno de sábado foram excepcionais”.

“Quem compara os Carnavais, diz que este foi muito grande. Eu que vi mais os de há mais de 20 anos quero salientar a diferença enorme de qualidade”, referiu o autarca.

“Estou contente, embora não me faça esquecer a tristeza que vai no mundo (numa alusão à guerra da Ucrânia), mas está aqui muito trabalho e as pessoas da Figueira da Foz mereciam muito isto”, acrescentou.

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