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Basquetebolista da Figueira da Foz torna-se dos mais jovens a jogar nos seniores

O basquetebol tem sido o universo de João Francisco Mota desde o berço e o jogador do Ginásio Figueirense tornou-se na semana passada um dos mais jovens basquetebolistas a estrear-se numa competição sénior, com 14 anos e 10 meses.

O base não se recorda da primeira vez que jogou, porque sempre andou com a bola na mão. A dedicação à modalidade, aliada a constrangimentos provocados pela pandemia de covid-19 no plantel, permitiram-lhe a estreia precoce e alinhar 17 minutos e 37 segundos na partida com o Vasco da Gama, para a Taça de Portugal.

Mais do que a derrota, por 76-84, para a história do clube da Figueira da Foz fica a entrada nas quatro linhas do sub-16, num jogo em que os jogadores foram avisados que iam ‘rodar’, depois de um confinamento de 14 dias, seis casos positivos na equipa e uma lesão no aquecimento.

Com a pandemia a impedir os escalões de formação de competirem, os treinadores e a direcção decidiram inscrever o promissor atleta na equipa sénior, com quem fez a pré-época e treina, ao lado do mais internacional basquetebolista português, José Costa.

Quando o treinador, que é também o pai, o mandou aquecer, João Francisco conta que esteve cerca de 10 minutos a repetir para si que era apenas mais um treino e a controlar a respiração e o coração em sobressalto. Quando foi chamado, desfez os enguiços que lhe iam no pensamento.

“Os primeiros passos dentro de campo foram tensos, mas depois de ver a bola rolar integrei-me bem”, lembra, em declarações à agência Lusa.

É a bola laranja que lhe sacode a serenidade, lhe desperta os sentidos e lhe ilumina o olhar azul. Nascido numa família de basquetebolistas e treinadores da modalidade, contam-lhe que em criança se entretinha a marcar pontos e a festejar efusivamente.

Foi também com emoção que marcou cinco pontos na estreia na equipa principal.

João Mota, “treinador no pavilhão, pai em casa”, recorda que, em cada Natal, o presente preferido do filho era uma bola de basquetebol. Hoje, os interesses não mudaram.

“Quando não estou na escola ou no basquete, costumo ir para o Campo das Traseiras jogar com os amigos ou fazer trabalho extra treino”, conta.

É a rotina de quem, aos 14 anos, tem uma vontade bem vincada de “chegar a um campeonato de topo” e jogar pela selecção nacional, “outro dos sonhos”.

João Francisco olha para o futuro como para o cesto, lá no alto. O basquetebolista não quer perder o balanço, por isso não pensa dar descanso ao muito trabalho que considera ter a fazer para se lançar a outros patamares. Joga todos os dias, esteja sol ou chuva, em período escolar ou de férias.

“Eu tento esforçar-me ao máximo nas aulas para apanhar tudo e, dessa forma, ter mais tempo para estar no pavilhão, mas quando vejo que estou com uma matéria em atraso, vou estudar”, sublinha, ou não fosse essa uma condição imposta pelos pais.

Para já, na vida do jovem basquetebolista não há margem para muito além dos passes, lançamentos, ressaltos, bloqueios ou tácticas de jogo.

João Francisco Mota, sempre o mais pequeno no seu escalão, que este ano cresceu nove centímetros e passou a ser dos mais altos da sua idade no clube, com 1,85 centímetros, tem consciência das fragilidades.

“Falta-me corpo, um bocado grande, e melhorar a defesa. Tenho de trabalhar muita coisa”, reconhece o base/extremo, que considera ter no lançamento exterior e nas penetrações de média distância os pontos fortes.

João Mota, pai e treinador, destaca a facilidade em marcar pontos e a boa condução de bola, embora realce as dificuldades na defesa e os aspectos físicos que tem de trabalhar.

Quando fez entrar João Francisco em campo, assegura não ter ideia de que o atleta passaria a estar entre os mais jovens de sempre a jogar numa competição sénior.

“Não me passou pela cabeça tal coisa. Já lhes tinha dito que ia ser feita rotação e todos estavam metalizados que iam jogar menos ou mais tempo”, refere à Lusa o técnico, segundo o qual o filho “nasceu praticamente num campo de basquete” e desde os cinco anos que é federado.

Para Ana Rolo, a presidente do Ginásio Figueirense, a estreia de João Francisco é o reflexo do desejo do clube de ver os atletas da formação alimentar a equipa sénior.

“Não havendo campeonato, não tinha lógica estar a desperdiçar a qualidade de um atleta destes, parado uma época inteira, e achámos que devia subir de escalão”, enfatiza a dirigente.

O treinador considera que jogar com os mais velhos tem feito o atleta amadurecer e melhorar a estabilidade emocional.

João Francisco tem no tio, Sérgio Ramos, jogador com passagem por várias ligas fora de Portugal, “a maior referência”. O sonho é força motriz e o jovem espera fazer do basquetebol profissão.

Em Fevereiro de 2009, Maria Ferreira, então com 14 anos e 9 meses, tinha também feito história, ao estrear-se no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão feminina, com as cores do União Micaelense.

 

Ana Ribeiro Rodrigues, da agência Lusa 

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