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Autoridades avisam para perigo de cheia no vale do Mondego

As autoridades de Proteção Civil da região do Baixo Mondego estão preocupadas com o perigo de cheias nos próximos dias, face à chuva que continua a cair e à saturação dos campos agrícolas.

Numa observação realizada pela agência Lusa cerca das 11h30 de hoje, nas zonas de Maiorca e Ferreira-a-Nova (Figueira da Foz) e Ereira (Montemor-o-Velho), constata-se que a subida da água nos campos do vale do Mondego está a cortar estradas, a submergir praticamente as estruturas de rega e a transformar caminhos agrícolas em autênticos rios e os terrenos de produção de arroz em verdadeiros lagos.

O coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil de Montemor-o-Velho, Hélder Araújo, manifestou preocupação face ao que disse ser um “perigo real de cheia” nos próximos dias, devido à chuva persistente e à falta de capacidade do canal central do rio Mondego em acolher a água proveniente dos afluentes das margens esquerda e direita, a jusante da cidade de Coimbra.

“O rio não está a permitir fazer o escoamento dos caudais e a água continua a subir nos campos”, observou Hélder Araújo, notando que, embora o Mondego “esteja a fluir normalmente”, cursos de água como o Arunca e Ega (no município de Soure) e a vala de Arzila (que faz fronteira entre Montemor-o-Velho e Coimbra), todos afluentes da margem esquerda, não conseguem escoar, potenciado o perigo de inundações em povoações ribeirinhas.

Na margem direita, por seu turno, as preocupações incidem sobre o leito periférico direito do Mondego – um canal artificial, a exemplo do leito central – que recebe a água no norte do concelho, nomeadamente das zonas de Meãs do Campo e Carapinheira até Coimbra, ao longo da antiga estrada nacional (EN) 111, e entra no rio a jusante da povoação de Alfarelos.

Junto à povoação de Casal Novo do Rio, na zona da ponte das Lavandeiras, existe ainda o chamado leito abandonado do Mondego (rebatizado Padre Estevão Cabral e que corre ao longo da margem ribeirinha de Montemor-o-Velho), passando por debaixo do leito periférico direito por um sistema de sifões – um local classificado pela população como a ‘embrulhada de Montemor’.

O leito abandonado segue ao longo de vários quilómetros até ao sistema de bombagem e comportas a jusante da povoação da Ereira, onde conflui com a Ribeira de Foja e Vala Real, já no município da Figueira da Foz, potenciando o alagamento, também, nos campos agrícolas de Maiorca.

A circulação na antiga estrada nacional 111, entre o acesso à autoestrada 14 (A14, de ligação entre Coimbra e a Figueira da Foz), junto à capela de Santa Eulália e à vila de Maiorca, no sentido leste-oeste, foi cortada pela GNR face à acumulação de água na estrada.

Nos terrenos agrícolas que ladeiam a estrada das Pontes de Maiorca, as águas também têm subido, estando a cerca de um metro de altura da via, quando, habitualmente, ou os terrenos estão secos, ou a água fica a mais de quatro metros.

Naquela zona, a GNR cortou ainda o acesso do nó da A14 à povoação da Ereira (Montemor-o-Velho), dado que a estrada municipal 601 está submersa em vários locais.

A EN 341, de ligação entre a estação de caminho de ferro de Alfarelos/Granja do Ulmeiro e Coimbra, também está cortada face à subida das águas, existindo duas casas em Formoselha “já com água à porta”, indicou, por seu turno, o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, José Veríssimo.

No entanto, o autarca manifestou-se esperançado de que a meteorologia “possa dar algumas tréguas” nos próximos dias, notando que as autoridades estão a monitorizar e a gerir o caudal do Mondego, que, na ponte-açude de Coimbra, está próximo dos 1.000 metros cúbicos por segundo (m3/s).

Este débito é equivalente a um milhão de litros de água a cada segundo – cerca de metade do valor máximo de débito daquela infraestrutura – dados confirmados pela Lusa no portal do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos.

O débito de água na ponte-açude é um dos sinais que permite a antecipação de uma eventual cheia, estando prevista a ativação de um alerta laranja pela Proteção Civil, assim que o caudal chegar aos 1.600 m3/s.

Por outro lado, ainda segundo as autoridades, as três barragens a montante de Coimbra, integradas na bacia do Mondego (Aguieira, em Mortágua, açude da Raiva, em Penacova, e Fronhas, no município de Arganil, estão todas a largar água.

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