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“A Figueira precisa de entrar numa nova era de desenvolvimento” – Rui Curado da Silva, BE

O Figueirense colocou algumas questões aos diversos candidatos com o intuito de angariar mais informações sobre os seus planos, projectos e intenções, ajudando os cidadãos eleitores a decidir a sua opção de voto. Eis o que obtivémos junto do representante do Bloco de Esquerda, Rui Curado da Silva.

Rui Miguel Curado da Silva tem 50 anos e é licenciado em Engenharia Física pela Universidade de Coimbra e doutor em Física pela Universidade Louis Pasteur, Estrasburgo, França. Actualmente é investigador do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas em Coimbra, onde lidera o Grupo de Instrumentação para o Espaço (i-Astro). É um dos coordenadores da Concelhia do Bloco de Esquerda da Figueira da Foz e é membro do Departamento Internacional do Bloco de Esquerda.

Segundo os últimos censos, a população do concelho da Figueira diminuiu. Quais as medidas que irá adoptar para aumentar o número de residentes?

Contrariar a diminuição do número de habitantes do concelho, não depende exclusivamente de políticas municipais, depende também das tendências demográficas regionais e nacional, em particular da tendência de emigração da população para o estrangeiro, bem como da tendência de deslocação da população da região Centro para os dois grandes centros urbanos: Porto e Lisboa. Nos últimos 10 anos, a Região Centro perdeu 4 por cento da população e o país perdeu cerca de 2 por cento dos habitantes. O próximo presidente do executivo deverá ter um papel consideravelmente mais activo à escala regional, pugnando para que as entidades regionais da Região Centro (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, Comunidade Intermunicipal e Região de Turismo do Centro) implementem um programa sério e eficaz para combater a perda de população para Porto, Lisboa ou para a emigração, em particular através do desenvolvimento das infraestruturas regionais de transporte (ferrovia e portos) e das instituições de ensino superior e investigação, promovendo a capacidade destas instituições para alavancar novas actividades económicas e consequentemente a criação de novos empregos.

Neste contexto será mais eficiente articular todas as políticas demográficas locais com as políticas regionais, muito em particular as políticas de habitação e de emprego. Implementaremos um amplo e descentralizado programa de investimento na reabilitação e na recuperação imóveis para habitação, permitindo a injecção de novos imóveis no mercado habitacional, favorecendo o aumento da oferta e a baixa das rendas, programa esse a ser financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência através da apelidada bazuca europeia. Será essencial também ampliar as condições de acesso à habitação social e de arrendamento a custos controlados, bem como contrariar a concentração deste tipo de habitação em bairros periféricos e a consequente guetização de sectores da população.

O emprego é uma preocupação natural. Como atrair mais investimento, mais postos de trabalho, seduzindo assim uma população jovem e activa?

A Figueira precisa de entrar numa nova era de desenvolvimento em linha com as metas ambientais internacionais para o combate às alterações climáticas. Neste sentido, a estratégia de desenvolvimento do concelho deverá centrar-se na atracção de sectores de actividade baseados nos recursos locais (mar, rio, vento, recursos marinhos, algas, sal, etc.), apostando nas biotecnologias (do sector farmacêutico à gastronomia), na oceanografia, bem como na investigação e produção de energias renováveis (marés, ondas ou eólica) e ainda na produção agrícola local e biológica, em fase com os objectivos de transição climática do Plano de Recuperação e Resiliência.

Esta aposta será alicerçada na implementação de uma incubadora de empresas vocacionada para actividades económicas amigas da transição climática e ainda num Gabinete para o Desenvolvimento cuja função será atrair polos de ensino e de investigação, bem como agências nacionais e internacionais dedicadas aos oceanos, às energias alternativas ou aos recursos endógenos do concelho, fomentando feiras, encontros e conferências nacionais e internacionais nestes mesmos domínios. Esta estratégia permitirá simultaneamente promover emprego qualificado e justamente remunerado, ajudando a fixar na Figueira os jovens e os profissionais mais qualificados. Em suma, pretendemos orientar o desenvolvimento da Figueira para a transição climática produzindo conhecimento, riqueza e emprego em torno dos seus recursos endógenos.

A Figueira é o concelho mais industrializado do distrito, onde estão sediadas empresas entre as maiores exportadoras e mais lucrativas do país. No entanto verifica-se um exagerado recurso à subcontratação e aos contratos precários. O executivo deveria ter um papel de mediação junto das principais empresas do concelho para combater este fenómeno.

O trabalho por turnos e nocturno está muito presente nos sectores industriais, no sector hospitalar e do turismo. Se integrarmos o próximo executivo pugnaremos junto dos órgãos locais e nacionais pela justa remuneração e pela compensação destes trabalhadores, expostos a um desgaste especialmente acentuado.

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