Os pescadores do rio Mondego estão sem trabalhar desde o dia 22 de janeiro devido ao mau tempo e a indefinição das próximas semanas leva-os a pensar que a lampreia poderá este ano escassear nos pratos.
“Trabalhámos nove dias em janeiro e estávamos a ter uma amostra de lampreias que não tivemos no ano passado. Mas tudo muda de repente”, lamentou hoje Alexandre Carvalho, representante de pescadores e armadores da pequena pesca da Figueira da Foz, em declarações à agência Lusa.
Autorizada entre 10 de janeiro e 05 de abril, a captura da lampreia estava este ano a gerar boas expectativas, depois de um 2024 que foi o ano com menor efetivo de adultos reprodutores no Mondego e de um 2025 com um mês de janeiro que “não deu lampreia nenhuma”.
O pescador mostrou-se pessimista relativamente às próximas semanas, mesmo que as condições climatéricas melhorem: “há muita madeira e muita força de água, ninguém pode trabalhar assim”.
A agravar a situação está o facto de o calendário prever um período de defeso para a lampreia entre os dias 17 e 26 de março.
Alexandre Carvalho contou que os pescadores da lampreia e do sável já pediram a suspensão deste defeso, numa tentativa de não ficarem tão prejudicados.
Segundo o pescador, apesar de o mar revolto e a rebentação forte poderem dificultar a entrada lampreia na barra, ela não tem problemas em subir o rio por a corrente estar forte.
“Nas cheias de há 25 anos chegávamos a agarrar às 30/40/50 lampreias por dia, cada embarcação. Os compradores até meteram uma norma que só queriam dez lampreias por dia de cada barco, para poder escoar o produto”, recordou.






