Director:  
12/03/2010  
Ano 91º  
Edição N.º 5656  
O Figueirense
 
  Reportagem

Pais e encarregados de educação pedem manutenção do antigo CEPI

O edifício que os figueirenses ainda hoje conhecem por CEPI vai ter, no próximo ano lectivo, o seu último grupo de alunos – as 20 crianças que hoje têm quatro anos e que, em Setembro, transitam para a “sala dos cinco anos”. Depois, cabe à Direcção Regional de Educação do Centro decidir o destino do espaço, que já albergou cerca de 70 crianças, em duas salas de jardim-de-infância e três de creche.
Num abaixo-assinado dirigido ao Presidente da Câmara da Figueira da Foz, pais e encarregados de educação pedem à autarquia que se envolva na questão, para que ali se mantenha um equipamento público destinado ao pré-escolar.



Extintos em 2008 – no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) – os Centros de Educação e Protecção para a Infância (CEPI) eram instituições sociais de apoio aos funcionários do Ministério da Educação, nas valências de Creche e Jardim de Infância, abertos também às comunidades locais. Este Serviço Social do Ministério da Educação (ME) foi criado em 1972, como OSME (Obra Social do Ministério da Educação), tendo, em 1976, sido alargada a sua abrangência de oferta com a criação dos CEPI.
Decretada a sua extinção, estes centros passaram então a ser geridos pelas Direcções Regionais de Educação, de acordo com a lei, “até à sua passagem para a rede pública ou solidária.” Em 2009, o CEPI da Figueira da Foz já não aceitou inscrições, pelo que o seu funcionamento só está assegurado até à conclusão do percurso pré-escolar das crianças que já frequentavam aquele equipamento, à data da extinção, no próximo ano lectivo.
Em Maio de 2008, o então secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, garantia que até ao final do ano lectivo de 2009/10 todas as CEPI estariam “integradas na rede pública ou na rede solidária”, mas na Figueira da Foz ainda não é conhecido o destino a dar a este equipamento.
No abaixo-assinado, pais e encarregados de educação dizem-se “preocupados com o próximo ano lectivo e com o futuro desta instituição”, que consideram estar ameaçada de encerramento.
“O CEPI é uma instituição quase centenária e sempre dedicada à educação das crianças da nossa cidade”, sublinham no documento que, muito em breve, deverá chegar às mãos do edil figueirense, João Ataíde, subscrito por centenas de cidadãos.
Os signatários afirmam ainda não se conformarem com “o futuro incerto a que está exposta esta instituição e a consequente eminência de diminuição de recursos disponíveis na cidade”, pedindo ao presidente da Câmara que dê “especial atenção para este problema”, apelando a um “conjugar de esforços no sentido de preservar esta instituição escolar.

À espera da decisão
da DREC
Contactado pelo O Figueirense, Adelino Matos, director do Agrupamento de Escolas da Zona Urbana, que detém a tutela pedagógica do antigo CEPI, confirmou ter conhecimento da questão e da iniciativa do abaixo-assinado. “Na parte que me compete”, acrescentou, “tudo farei para manter o edifício aberto e com ensino pré-escolar público”. Sobre este tema, Adelino Matos já reuniu com o Vereador da Educação e vice-presidente da autarquia, Carlos Monteiro. “O objectivo é sensibilizar a DREC para a pertinência de manter o equipamento naquele edifício”, explicou.
Também contactado pelo nosso Jornal, Carlos Monteiro adiantou que “a Câmara está na expectativa de conhecer a decisão da DREC”, mantendo-se a autarquia “aberta ao diálogo, no sentido de encontrar a solução que melhor sirva os figueirenses”.

Os argumentos dos pais

“O CEPI é uma instituição quase centenária e sempre dedicada à educação das crianças da nossa cidade”


“elevada qualidade, tanto no atendimento que é dado às crianças e famílias como ao nível pedagógico”


“o seu período de funcionamento, de onze horas diárias, dá uma resposta excelente às necessidades das famílias”


“as suas instalações, apesar de necessitarem de obras de manutenção, permitem a frequência de um número significativo de crianças”


“O CEPI tem um espaço exterior privilegiado que é uma mais-valia para o desenvolvimento global dos nossos filhos”

“a instituição goza de uma óptima localização geográfica e, tendo em conta a expansão da cidade ao nível da construção de novos fogos, configura um serviço necessário e adequado”


Andreia Gouveia

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“Isto só de galochas!”

Parque Infantil das Abadias “só será formalmente inaugurado após nova vistoria”


Centenas de crianças e jovens já brincaram no novo parque infantil, em pleno Parque das Abadias, ou não ficasse o equipamento junto à mais concorrida das escolas do 1.º CEB do concelho, a EB1 das Abadias, e nas proximidades de meia dúzia de outras instituições frequentadas pelos mais novos. Mas enquanto os filhos se divertem, os pais vão tecendo críticas aos «acabamentos» do espaço de lazer.

“Isto só de galochas”, reclama uma jovem mãe que, depois de muita insistência do pequeno Filipe, aluno da Escola EB1 das Abadias, se decidiu a levá-lo ao novo parque infantil. O «slide» é a grande atracção no local, mas a meio do trajecto, “precisamente onde as crianças param”, a terra molhada pelas últimas chuvas cede sob o peso de miúdos e graúdos, enlameando tudo e todos. No novo parque infantil, os diferentes equipamentos para as crianças brincarem encontram-se bastantes distantes uns dos outros, e não há como evitar a terra – ou lama – para chegar às diversões. “Eles acham imensa piada”, admite um pai que, a partir da primeira visita, já não se deixa surpreender. “Um fato de treino velho e umas galochas” são a receita para um final de tarde “sujo, mas divertido”.
Menos graça tinham, para crianças e adultos, os buracos que, durante os primeiros dias, se ofereciam a quedas, sobretudo para os mais pequeninos. “Cuidado, não corras”, era o grito de alerta mais ouvido – e também o menos acatado – nos dias em que O Figueirense visitou o local para esta reportagem. “Hoje é que está bom, porque não choveu”, disse uma rapariga de 14 anos, aluna da Escola João de Barros, que já não dispensa uma viagem no slide a meio do caminho para casa. Os jovens que se limitam a brincar no parque não são criticados pelos pais das crianças mais pequenas, mas nem todos os que fazem do local ponto de encontro são bem-vindos. “Era bom que a polícia fosse passando por aqui, até porque a esquadra é perto”, sugeriu uma avó, “escandalizada” com o comportamento menos cívico de alguns adolescentes. “Vêm para aqui, sabendo que é um parque infantil, e põem-se aos beijos, ou então a gritar palavrões e até a lutar, como eu já vi”, assegura, lamentando que não tenham “juízo nem educação para perceber que não devem portar-se assim ao pé de crianças pequenas”.

A aguardar vistoria
O Parque Infantil das Abadias foi uma obra iniciada pelo anterior executivo, liderado por Duarte Silva, que só seria concluída já depois da tomada de posse do actual presidente da Câmara, João Ataíde. António Tavares, vereador com o pelouro que tutela os espaços verdes, explicou a O Figueirense que “a obra está concluída”, mas não coloca de parte a hipótese de serem feitas algumas alterações. “O parque foi vistoriado pelo Instituto do Desporto de Portugal, que fez algumas observações, tendo a Câmara acatado umas – e procedido às alterações – e contestado outras”, adiantou. Entretanto, acrescenta, a própria legislação sofreu alterações, estando ainda por estabelecer se a nova vistoria será feita pelo IDP “ou pela ASAE”. António Tavares garante que, até à vistoria, “não haverá inauguração formal”.

Em período experimental
“Tratando-se de um parque verde, onde há uma vala, o ideal é impermeabilizar o menos possível o terreno”, explicou António Tavares, quando questionado sobre o problema da lama entre os diferentes módulos. Mesmo assim, e até porque “há alternativas à impermeabilização, como a instalação de um dreno”, o vereador admite que o parque possa ter que voltar a ser intervencionado. “Se virmos que, tal como está, o parque não pode ser utilizado ao longo de todo o ano, teremos que encontrar uma solução”, afirma. Para já, no entanto, António Tavares prefere aguardar o fim da actual época de chuvas, “em quantidades pouco habituais”, para só então aferir da necessidade de proceder a novas obras. Até lá, e apesar das obras, os pais que O Figueirense ouviu concordam que o actual parque “é melhor do que nada”.

Andreia Gouveia

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20 mil desempregados no distrito de Coimbra e 3.505 na Figueira da Foz

Segundo a União dos Sindicatos de Coimbra (USC/CGTP-IN), no final de Dezembro de 2009 o concelho da Figueira da Foz tinha 3.403 desempregados. Um mês depois, o número aumentou para 3.637, ou seja, mais 234 desempregados. A variação é de 6,88%.
No distrito de Coimbra o desemprego atinge os 6,95%.
A taxa nacional de desemprego rondará os 9% nos próximos quatro anos, mantendo-se em 2010 e 2011. O desemprego previsto pelo Governo será de 9,5% em 2012 e 9,3% no ano seguinte.

O distrito de Coimbra bateu “um recorde histórico”, ultrapassando os 20 mil desempregados em Janeiro, revelou recentemente a USC/CGTP-IN, exigindo “medidas urgentes” de combate ao desemprego.
“Se compararmos os dados de Dezembro de 2009 e Janeiro de 2010, o número de desempregados, em apenas um mês sobe 7 por cento, de 18.913 para 20.232, e estes são apenas os números oficiais”, refere a organização em comunicado.
Segundo a estrutura sindical, estes dados confirmam os receios que têm manifestado e resultam “dos vários encerramentos de empresas ocorridos no distrito, com maior incidência no que resta do sector produtivo” e da “ausência de medidas concretas em defesa do emprego”.
“Em todos os 17 concelhos do distrito, o desemprego aumentou, a realidade exige medidas concretas urgentes de combate ao desemprego”, sustenta o sindicato.
O concelho de Coimbra é o que tem maior número de desempregados, com 6.826 pessoas nesta situação, seguindo-se a Figueira da Foz, com 3.637, e Cantanhede com 1.518 – de acordo com os mesmos dados relativos a Janeiro passado citados pela União dos Sindicatos. Segundo os dados avançados pela estrutura sindical conimbricense, a percentagem de desempregados na Figueira da Foz é de 5,78%.
Refira-se que os números apresentados pela estrutura sindical reportam-se ao número de cidadãos formalmente inscritos nos centros de emprego acrescidos do que desempenham funções temporárias (no âmbito de programas de apoio ao emprego) mas que, contudo, permanecem desempregados, numa listagem paralela à do Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Jorge Lemos

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Dinis Alves apresentou livro em Coimbra

Sala cheia na Casa da Cultura de Coimbra, no passado dia 2, para o lançamento do livro do professor universitário e antigo jornalista, Dinis Alves, apresentado pelo decano do jornalismo, Jorge Castilho. Na plateia, para além de familiares, amigos, alunos e antigos alunos de Dinis Alves, encontravam-se muitas personalidades da vida académica, social e política local e nacional. Entre outros estiveram presentes a vereadora da Cultura de Coimbra, Maria José Azevedo Santos; o Reitor da Universidade de Coimbra, Rui de Alarcão; o director da Segurança Social de Coimbra, Mário Ruivo; o presidente do conselho da Administração do Porto de Aveiro, José Luís Cacho; o escritor Carlos Esperança e o jornalista e docente Sansão Coelho.

Uma tese, quatro livros
“Promoções, Silêncios e Desvirtuações na TV – a Informação ao serviço da estação” é o primeiro de quatro títulos saídos da tese de doutoramento de Dinis Alves – “Mimetismos e Determinação da Agenda Noticiosa Televisiva – A Agenda-Montra de Outras Agendas” –, orientada pelo Professor Rui Cádima (o primeiro doutorado em Portugal no campo do jornalismo televisivo), e pela Professora Isabel Nobre Vargues.
Para Junho está previsto o lançamento de “Terceiro Mundo em Notícias – Em Directo do Inferno”, seguindo-se em data a anunciar, “Da Máquina Enfatizada À Máquina Constrangida – Mal Dita Televisão” e, por último, o livro que ostentará o nome da dissertação de doutoramento.
Os dois primeiros títulos são publicados pela editora “Mar da Palavra”, com o apoio do organismo estatal Gabinete para Apoio aos Meios de Comunicação Social. “Promoções, Silêncios e Desvirtuações na TV – a Informação ao serviço da estação” conta, na capa, com uma ilustração de Luís Pato, e é dedicado a Fausto Correia.
Jorge Castilho sublinhou, na apresentação, do livro, a importância do livro para “compreender melhor esta nebulosa que atravessam os meios de comunicação”. Para o jornalista com mais de 40 anos de actividade profissional, e que sentiu os efeitos da censura, não faz sentido falar-se hoje de falta de liberdade de expressão. “Só o facto de o dizerem os contradiz”, criticou, lamentando que a liberdade de expressão seja, “muitas vezes mal utilizada”. O orientador da tese de doutoramento de Dinis Alves, Rui Cádima, afirmou-se satisfeito por ver que o “trabalho de grande dimensão” realizado “abre portas a um conjunto de obras de teor reflexivo e problematizador”, considerando que os quatro livros constituirão “um marco no estudo do fenómeno televisivo”. Rui Cádima traçou um breve percurso da informação audiovisual nos últimos 15 anos, constatando que “as entidades reguladoras só nos últimos anos têm produzido alguns relatórios”, tímidos, abordando, por exemplo, “a efabulação violenta do real” e a prossecução de um modelo que, “20 anos depois do aparecimento do sector privado”, aproxima a televisão portuguesa “mais do modelo latino-americano do que do europeu”. Para Rui Cádima, o livro lançado e as obras que se seguirão “podem constituir-se num autêntico relatório de regulação, num alerta às práticas portuguesas”.
Já para Dinis Alves, que recuperou para a sua apresentação uma intervenção da jovem escritora nigeriana Chimamanda Adichie, este livro é outra forma de se rebelar contra a História Única. “Não estava nas previsões de ninguém que o seu lançamento coincidisse com o triângulo infernal que nos tem dominado nos últimos tempos, vértices de nome Política, Media e Justiça”, frisou o autor, lamentando que, “na vertigem, os vértices” tenham virado “vórtices sugadores implacáveis do mínimo ético indispensável para uma vida em sociedade”. Dinis Alves não tem dúvidas de que “há maus malandros a mais em toda esta estória”, e que os media, jornais, rádio e televisão não estão isentos de culpas.
“O livro trata apenas de algumas malfeitorias despejadas pelo jornalismo televisivo”, admitiu. “No jornalismo televisivo há promoções a mais, há silêncios comprometedores, verdadeiros apagões noticiosos, e há desvirtuações graves merecendo lugar de destaque no pelourinho das falhas deontológicas”, disse ainda, para concluir “a História Única não existe, nem a Verdade Única mora no cofre-forte dos jornais, das rádios e das televisões”.



Andreia Gouveia

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