Jardim
Municipal: um local intemporal de convívio e descanso
“O
Jardim é uma verdadeira maravilha. O seu arranjo é
primoroso. A sua disposição acertadíssima.
A sua limpeza impecável. Há corrimãos de roseiras
que olorescem o ar fino. Canteiros de flores cada um de sua especialidade,
de sua cor, de sua natureza. Áleas vastas, cobertas de areia
amarelenta. Esguias, nobres, clássicas araucárias.
Cedros evocando apartados tempos do claro Lácio. Velhos,
graves, copados e redondos pinheiros mansos. Sombras doces e macias.
E do lado do rio, a meio dum lago onde rebanhos de peixes vermelhos
passam lestos – com gáudio da petizada garrida para que o
lindo jardim é ponto preferido – um encantador coreto em
bambus, com seu tecto típico de pavilhão chinês,
enredado de lindas trepadeiras em flor”.
Foi assim que, em 1926, o quinzenário Europa descreveu o
Jardim Municipal Infante D. Henrique.
Inaugurado
em 1891, o passar dos anos obrigou a certas alterações.
Mas nada adulterou a beleza deste parque, que ainda hoje encerra
grande voluptuosidade. A sua inauguração foi um pouco
polémica.
Segundo relatos de jornais do século XIX, o jardim era ainda
de terra batida, e tinha somente alguns bancos a rodeá-lo.
Mesmo assim, a cerimónia de inauguração contou
com a actuação da Filarmónica Figueirense.
Corria o ano de 1910, quando António Rei, funcionário
público do município, se predispôs a classificar
as plantas raras do Jardim Municipal, ficando as despesas ao encargo
da Associação de Instrução Popular.
Um serviço de utilidade pública, que permitiu evidenciar
a flora existente neste espaço.
Patinagem
e carrossel
Os
tempos iam passando e, no ano de 1945 algumas modificações
foram inseridas com o intuito de modernizar e embelezar o jardim,
entre as quais um ringue de patinagem e um carroussel para crianças.
O facto é que ano seguinte, estas infra-estruturas foram
retiradas. No que toca ao ringue, a razão recaiu para o facto
de não se ter enquadrado no espaço que caracteriza
o parque, já o carroussel fora retirado por motivos de saúde,
nomeadamente pelos riscos que representava para as crianças.
O Jardim Infante D. Henrique, como também era conhecido,
foi sempre alvo de peripécias, de transformações,
mas era, e ainda é, palco de animação e de
diversão.
Em
Julho do ano passado, o espaço reabriu ao público,
depois de seis meses de obras de requalificação que
mudaram o rosto do centenário jardim.
Inauguradas pelo presidente da Câmara Municipal da Figueira
da Foz, Duarte Silva, as obras visaram melhorar o espaço,
mas também modernizá-lo.
Assim, se alguém proveniente de gerações passadas
pudesse visitar o espaço nos tempos que correm, certamente
seria surpreendido pelas transformações: sem lago
e com o ‘coreto’ substituído por um palco raso coberto por
uma tela branca inclinada, o espaço verde domina quase por
inteiro o local, pontuado aqui e ali por bancos, colorido pelo novo
parque infantil, e animado pela enorme gaiola onde se encontram
algumas espécies de pássaros.
Alguns quiosques e pontos de venda de gelados, bem como as instalações
sanitárias, completam o espaço. Alterações
que não receberam o total agrado de muitos que preferiam
o antigo jardim.
Mudanças à parte, o ambiente vivido nos dias de hoje
assemelha-se ao de antigamente, com crianças a correr e a
brincar, avós e netos a alimentar pombos com milho ou pão,
casais de namorados em intervalos românticos e pes, conhecidas
ou não, a entabular conversas nos bancos do jardim.
Continua a ser o jardim da cidade, agora mais aberto e voltado para
o rio.
Cristiano
Coutinho / Rangel Costa