Director:  
28 Julho/2006  
Ano 88º  
Edição N.º 5469  
 
 
  REPORTAGEM

Jardim Municipal: um local intemporal de convívio e descanso

“O Jardim é uma verdadeira maravilha. O seu arranjo é primoroso. A sua disposição acertadíssima. A sua limpeza impecável. Há corrimãos de roseiras que olorescem o ar fino. Canteiros de flores cada um de sua especialidade, de sua cor, de sua natureza. Áleas vastas, cobertas de areia amarelenta. Esguias, nobres, clássicas araucárias. Cedros evocando apartados tempos do claro Lácio. Velhos, graves, copados e redondos pinheiros mansos. Sombras doces e macias. E do lado do rio, a meio dum lago onde rebanhos de peixes vermelhos passam lestos – com gáudio da petizada garrida para que o lindo jardim é ponto preferido – um encantador coreto em bambus, com seu tecto típico de pavilhão chinês, enredado de lindas trepadeiras em flor”.
Foi assim que, em 1926, o quinzenário Europa descreveu o Jardim Municipal Infante D. Henrique.

Inaugurado em 1891, o passar dos anos obrigou a certas alterações. Mas nada adulterou a beleza deste parque, que ainda hoje encerra grande voluptuosidade. A sua inauguração foi um pouco polémica.
Segundo relatos de jornais do século XIX, o jardim era ainda de terra batida, e tinha somente alguns bancos a rodeá-lo. Mesmo assim, a cerimónia de inauguração contou com a actuação da Filarmónica Figueirense.
Corria o ano de 1910, quando António Rei, funcionário público do município, se predispôs a classificar as plantas raras do Jardim Municipal, ficando as despesas ao encargo da Associação de Instrução Popular. Um serviço de utilidade pública, que permitiu evidenciar a flora existente neste espaço.

Patinagem e carrossel

Os tempos iam passando e, no ano de 1945 algumas modificações foram inseridas com o intuito de modernizar e embelezar o jardim, entre as quais um ringue de patinagem e um carroussel para crianças.
O facto é que ano seguinte, estas infra-estruturas foram retiradas. No que toca ao ringue, a razão recaiu para o facto de não se ter enquadrado no espaço que caracteriza o parque, já o carroussel fora retirado por motivos de saúde, nomeadamente pelos riscos que representava para as crianças.
O Jardim Infante D. Henrique, como também era conhecido, foi sempre alvo de peripécias, de transformações, mas era, e ainda é, palco de animação e de diversão.

Em Julho do ano passado, o espaço reabriu ao público, depois de seis meses de obras de requalificação que mudaram o rosto do centenário jardim.
Inauguradas pelo presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Duarte Silva, as obras visaram melhorar o espaço, mas também modernizá-lo.
Assim, se alguém proveniente de gerações passadas pudesse visitar o espaço nos tempos que correm, certamente seria surpreendido pelas transformações: sem lago e com o ‘coreto’ substituído por um palco raso coberto por uma tela branca inclinada, o espaço verde domina quase por inteiro o local, pontuado aqui e ali por bancos, colorido pelo novo parque infantil, e animado pela enorme gaiola onde se encontram algumas espécies de pássaros.
Alguns quiosques e pontos de venda de gelados, bem como as instalações sanitárias, completam o espaço. Alterações que não receberam o total agrado de muitos que preferiam o antigo jardim.
Mudanças à parte, o ambiente vivido nos dias de hoje assemelha-se ao de antigamente, com crianças a correr e a brincar, avós e netos a alimentar pombos com milho ou pão, casais de namorados em intervalos românticos e pes, conhecidas ou não, a entabular conversas nos bancos do jardim.
Continua a ser o jardim da cidade, agora mais aberto e voltado para o rio.

Cristiano Coutinho / Rangel Costa

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